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Pico da Neblina PRIMEIRO DEFICIENTE FÍSICO A SUBIR O PONTO MAIS ALTO DO BRASIL Participantes: Leolino Barbosa Agnaldo Dias Quintela Quem escreveu o texto foi o Leolino e o Agnaldo fez comentários que está em azul. 27/11/98 Saímos de São Paulo, no aeroporto de Guarulhos, às 10:45 horas. Estamos com 4 mochilas, as do Agnaldo pesaram 22quilos e as minhas(uma contendo a comida) 24 quilos. A viagem no avião da VARIG foi boa, apesar de conturbada perto de Brasília pôr turbulências. Eu passei mal e comecei a transpirar e pensei "vou vomitar o resto da viagem" mas graças a Deus não aconteceu o mais nada. Chegamos em Manaus às 14:45 horas, atrasados em 1 hora porque o avião saiu 1 hora e 5 minutos atrasado de São Paulo, devido ao excesso de tráfico. O Tilinho e a Eliana nos receberam no aeroporto e nos levaram para a casa deles. Depois de um banho, visitamos o shopping e fomos comer pizza. 28/11/98 Acordamos às 5 horas, dormimos muito bem. Esqueci de dizer que estamos numa Manaus diferente da que conheço, a temperatura está em torno de 25 graus celcius, imagina! Aqui costuma fazer 40 graus celcius fácil. Está uma delicia! Tomamos café e o Tile e a Eliana nos levaram para o aeroporto. Chegando lá, fomos muito bem atendidos pelo pessoal da "Rico linhas aéreas". O avião, um Brasília EMB-120(antes era Bandeirantes) saiu às 7:30hs e chegamos à São Gabriel às 10:50h. Fomos para o hotel Waupés, pois no hotel do Paulo para variar não tinha lugar. Conheci no aeroporto um índio chamado Orlandino, que veio para visitar a comunidade Tucana do Balaio. Passamos o dia passeando, almoçamos na Tia Íris(parece que a refeição ficou mais barata), fomos ver a final do campeonato da liga de futebol de São Gabriel e adivinha quem é o presidente? É o Ésio, chefe do Ibama. O juventude foi o campeão. O hotel Waupés melhorou bem, já não há aquela bagunça da última vez e coincidentemente o clube que fica em frente estava fechado. O Agnaldo notou que o chuveiro era só um cano, o que é comum pôr aqui, pois não há necessidade de tomar banho de água quente, já que o ar é um próprio banho quente. Jantamos pizza de mussarela com calabresa e fomos dormir.
29/11/98 Finalmente o Agnaldo foi ao banheiro!! Exagero dele. Fomos tomar o café às 7 horas, estava bom, com abelhas tipo Jataí tomando conta para a gente. Logo depois fomos ao Ibama conversar com o Ésio, falou-nos que devíamos voltar na segunda cedo e contou-nos algumas estórias sobre um Japonês que morreu no Cauaborí. Almoçamos de novo na Tia Íris e tivemos problemas, pois pedimos caldeirada e o acompanhamento que veio foi decepcionante, apenas arroz e pirão. Passamos à tarde dormindo e fomos arrumar as mochilas. Deu um trabalhão, separamos em 4 mochilas: duas para o Déco e Branco e duas para nós, o Agnaldo ficou com a minha mochila Mont Blanc e eu fiquei com a Ferrino. Às 19:00hs fomos jantar com o Ésio, ele trouxe a família inteira, dona Lourdes, Lerissa e Lorena, foi muito gostoso, comemos pizza até fartar. O Ésio estava bastante a vontade. Telefonamos para Campinas. Depois do jantar demos uma volta na praia, fomos no barzinho apreciar a turma e logo saímos, pois havia um cheiro insuportável que não nos deixava respirar. Fomos dormir. São 11:00 da noite e amanhã é o início da jornada. 30/11/98 Agnaldo continua alugando o banheiro. "Ele não vê o tempo que leva para ele usar todas os três tipos de escovas de dente que carrega na sua malinha". Tomamos o café às 7:15 horas, encontramos os controladores de vôo da base militar(essa base tem guarnição de 2.000 soldados para uma população da cidade de 10.000 habitantes), um vendedor(artigos escolares, plásticos....) e uma antropóloga. Depois de uma hora tomando café, "Ele comeu 5 pães recheados com ovo" o Ésio veio nos buscar e levamos todo o equipamento para o Ibama. Fomos fazer as compras de gasolina, diesel, querosene e óleo( 200lt gasolina, 100lt diesel, 4lt querosene e 4lt óleo). Compramos também 2Kg de carne seca, 4Kg de farinha, 5 pacotes de Tang, 10 metros de corda, 6 metros de lona para o Yamanchin e barraca do Agnaldo. Quando chegamos de volta, tivemos a notícia que em vez de sairmos logo após o almoço, teríamos de sair após as 14:00 horas, porque o Branco e o Déco teriam de depor para uma sindicância do Ibama referente à morte de um nissei de uma agência de turismo de São Paulo, que conduzia 9 turistas japoneses. O nissei morreu afogado no rio Cauaboris quando virou a canoa onde estava. O Luís é que conduzia a canoa e bateu num pedaço de pau. Almoçamos em outro restaurante diferente da Tia Íris, a comida era boa, mas fazia muito calor pois o teto era de zinco, além de ser muito baixo. Quando deu 14:30hs, saímos com o Luís dirigindo a Toyota branca do Ibama. Deco, Branco, Agnaldo e Lino(eu). Chegamos à frente sul (Km 85) às 16:00 horas, a perimetral norte estava ótima em comparação ao ano passado. Saímos logo após, pelo Iá-Mirim e depois pelo Iá. Escureceu lá pelas 18:30hs e chegamos na Pedra (posto da FUNAI no Cauaboris) às 19:30hs. Estavam lá o Modesto( que conheci no ano passado) o Coquito( chefe do posto) e vários índios Yanomani, entre eles um chamado Lázaro que é muito gentil. Fizemos o registro de nossa passagem com o Coquito que implicou com o fato de termos uma só via de autorização, não deixamos a autorização, só o faremos na volta. Desarmamos a canoa(voadeira) e montamos a barraca do Agnaldo (Branco e Agnaldo) e fomos fazer o jantar(Lino). Jantamos risoto de frango com batata e carne seca.( para variar, bastante salgada). Após o jantar, tomei banho, o Branco montou a rede dentro da casa e o Deco na beira do rio. "O Deco muito esperto foi comer frango assado com alguns militares que acamparam na beira do rio" Fiquei com vontade de dormir na beira do rio, pois dentro da barraca estava muito quente. Agnaldo e eu montamos a minha rede de selva(2hs de trabalheira) e fomos dormir lá pelas 22:00 horas banhados pela lua cheia do alto Amazonas. 01/12/98 Levantamos lá pelas 6:30hs e começamos a levantar acampamento, fomos tomar café com leite e comer banana. Fui escovar os dentes e descobri que perdi meu shampoo(evaporou!), talvez o Cauaborís esteja se lavando agora. Andamos de barco o dia inteiro, não sei como o Deco conseguiu agüentar no leme o tempo todo. Chegamos no Tucano às 15:10hs, descarregamos o barco e escondemos o motor e a gasolina. Os mosquitos Pium nos atacaram enquanto montávamos acampamento, foi uma dó. Fizemos o jantar rapidinho ( copinhos de Macarrão instantáneo) e apanhamos pacas para montar minha rede. Choveu bastante, ainda bem que minha rede é muito boa, pois o Deco e o Branco ficaram debaixo do telhado e eu de fora, pois não cabia. Os mosquitos atacaram a noite inteira e Deco e Branco não dormiram, eu e Agnaldo dormimos pois a minha rede tem mosquiteiro e Agnaldo estava na barraca. Obs.: os copinhos de macarrão Noodles da Arisco são muito bons. 02/12/98 Levantamos às 6:00 horas, tomamos café com leite e bananinha. Quando fomos colocar água nos cantis descobrimos que o Hidrosteril tinha vazado(não trazer mais em gotas e sim em comprimidos). Saímos às 8:00 horas, andamos bem e chegamos na Cotia às 10:00hs. Descansamos e saímos(minha perna está dando trabalho e estou indo devagar), chegamos na cachoeira do Tucano às 12:00hs. Foi o máximo, tomamos banho no rio, almoçamos. Tinha uma multidão de Yanomani na cachoeira fazendo peixe para o almoço. Saímos às 12:30hs e chegamos no acampamento do Bebedouro Velho às 15:00hs.Montamos acampamento e desta vez quase não há mosquitos. Tomamos banho e fomos fazer o jantar. Pifou o MCR do Agnaldo e fizemos o jantar na fogueira que o Branco tinha aprontado para fazer carne seca assada. Tomamos suco de carambola e jantamos risoto de frango com carne seca. Depois disso fomos para a rede e ficamos batendo papo e escrevendo no diário. Obs.: Hoje andamos 12Km e subimos 400 m. 03/12/98 Levantamos às 5:48hs, fomos tomar café com leite e bananinha, o tempo está bom. É sempre assim, o dia é quente e sem chuva e a tarde, quando paramos, começa a chuva e não para até de manha. Saímos às 8:00hs, subida o tempo todo. Paramos no barraco da Cotia, depois continuamos até o barraco do Macaco às 10:00hs. Depois que saímos vimos pela primeira vez o Pico 31 de Março que é o segundo mais alto do Brasil. Não dá para avistar o Neblina ainda. Paramos para almoçar ao meio-dia, comemos amendoim salgado, sanduíche de salame e damasco. Saímos lá pelas 11:45hs e a subida começou de novo, chegamos no Bebedouro Novo às 13:20hs. Fomos nos banhar no Igarapé Cuiabixí com direito a poço e cachoerinha, armamos acampamento a tempo de armar as redes e começar a cozinhar feijão antes da chuva. O Branco é especialista em feijão. Às 15:00hs a chuva despencou e a trovoada começou a reinar. Estamos todos nas redes, conversando e descansando. Agnaldo fala a frase do dia: "É nessa hora que damos valor as pequenas coisas, que é descansar na rede protegido da chuva" Enquanto na cidade não damos valor ao nosso colchão ortopédico dentro de nossa casa. Estamos esperando o feijão do Branco que também tem carne seca, como se estivéssemos no Montana Grill aguardando os pratos mais caros do restaurante. E o pé dágua continua, está chovendo tanto que o caldeirão de 10lt encheu em 15 minutos. Já jantamos, comemos um feijão com carne seca, farofa e arroz com frango que estava uma delícia. Desse jeito não vamos emagrecer. Estamos nas redes, são 18:30hs,já vamos dormir. Hoje andamos 10Km, estamos à 900 metros de altura, isto é, só subimos 500 metros. 04/12/98 Levantamos às 6:10hs, a chuva já tinha parado. Fomos fazer o café da manhã, o Deco e o Branco esquentaram o feijão do dia anterior e começaram a comer. Desmontamos o acampamento e saímos às 8:15hs. Começamos a subir, desta vez as subidas são cada vez mais freqüentes e mais íngremes. Atravessamos a serra do Tucano a manhã inteira, paramos para almoçar no "Toco da serra do Tucaninho". Comemos a última ração de amendoim japonês e também os últimos sanduíches de salame. Esse "Toco" é como uma cachoeira pequena, com água boa de duas fontes. Saímos às 12:40hs, já bem alimentados. Aumentou o esforço para vencer a serra, a mata agora é diferente: as árvores são menores, as Bromélias começam a aparecer. Lá pelas 13:45hs vimos o pico 31 de Março numa visão fabulosa, foi um corre-corre para tirar as máquinas fotográficas das mochilas, conseguimos tirar algumas fotos, mas logo em seguida fechou neblina e não pude tirar slide. Começamos a caminhar na beira da serra e a terra preta começa a ficar fofa demais, começamos a atolar o tempo inteiro, o que nos salva são as raízes das árvores. Estamos a 1.800 metros de altura e começa a chover, êh! Frio, chuva e atoleiro? Estamos quase à 2.000 metros, começam a aparecer campos de Bromélias, parece uma plantação. Há Bromélias da minha altura, é inacreditável. Acaba o campo e começa o atoleiro, fica pior, estamos procurando lugar firme, mas é impossível. Atolamos até o joelho várias vezes, chegamos no platô às 15:00hs( o Deco e o Branco chamam o platô de um lugar na mata, mas não é o platô da montanha) e armamos acampamento. Lavamos roupa, tomamos banho no Tucano. Aqui nascem o Tucano e o Tucaninho, o Tucaninho logo deságua no Tucano. A região é plana com a serra da Montila de um lado e o 31 de Março e o Neblina do outro, agora estamos nas redes( Agnaldo e eu) e Deco e Branco estão conversando olhando o feijão. Obs.: Trazer de Campinas uma lona de 4x5 metros, pois aqui é muito caro. Levar para a trilha lingüiça calabresa e carne seca. Hoje andamos 6km e subimos 1.000 metros. Estamos à 2.000 metros de altura. 05/12/98
Acordamos às 6:30hs, o tempo estava bom. Hoje é o grande dia, subiremos o Neblina, temos 5Km para caminhar e depois 1.014 metros para subir. Tomamos café da manhã e saímos lá pelas 8:30hs, o acampamento ficou armado pois ainda dormiremos essa noite aqui.
Caminhamos até às 10:30hs para iniciar a subida do pico. Até esse momento o terreno era horrível, um lamaçal enorme com muitas raízes e troncos caídos. " No café da manhã eu não me alimentei bem e não comi nada salgado e antes da subida comecei a Ter hipoglecemia e comecei a não enxergar com definição" Iniciamos a subida já cansados, o Agnaldo começou a perguntar pelas paradas de descanso. A subida é razoável para quem já fez a trilha, apesar que temos que subir e descer no mesmo dia, existem 3 pontos da escalada onde se corre risco de vida, para o Agnaldo não foi fácil mas ele conseguiu sem ajuda. O Deco e o Branco estavam preocupados com o horário, pois talvez pegássemos a noite na descida. Continuamos subindo, parecia que o pico pairava sempre alto sobre nossa cabeças; era impossível tirar fotos do pico pôr causa da neblina. Finalmente chegamos ao pico às 13:30hs, batemos todas as fotos que tínhamos direito. A bandeira nacional que estava no pico já está um pouco rota, mas ainda é bonita. Começamos a descer às 13:57hs, pouco tempo de permanência, só tivemos tempo para tirar fotos e para assinar o livro de presença que há lá em cima. A descida para mim é sempre pior, fazíamos o melhor podíamos, mas estávamos muito cansados. Branco seguia na frente cantando e Deco sempre calado fechando a fila. A tarde caía e o terreno ficava cada vez pior, pois tinha chovido enquanto estávamos no pico. Começamos a ficar preocupados pois o acampamento não chegava e o Deco brincava, só mais 7 minutos! E não sei quantas vezes ele fez essa brincadeira. Anoitecia, Agnaldo já estava propondo ao Branco para ele ir na frente pegar as lanternas, Branco resistiu. Chegamos às 18:30hs ao acampamento, mortos de cansaço, mas orgulhosos. Comemos e logo em seguida dormimos lá pelas 21:00hs. Obs.: Eu tomei banho gelado no Tucaninho e ninguém me seguiu. " Durante a subida eu pensei que iria cair pois o mal estar não passava e eu não conseguia focalizar direito os postos para me segura e abaixo tinha um barranco muito alto. Mas eu pensei! Eu cheguei até aqui não vai ser agora que vou desistir. Eu estava atrasando o grupo e os guias falaram que não podíamos ficar descansando mais por que estávamos muito devagar. Então eu procurei forças no meu interior , que já estava exausto, e continuei caminhado e falando para mim mesmo- Você vai conseguir porque você pode- Então subi até o ponto mais alto do Brasil o maravilhoso Pico da Neblina. Estava super contente mas sabia que tinha que voltar tudo e não estava nem um pouco contente com isso, mas eu tinha duas opções ficar e morrer de frio a noite ou continuar e comer uma comidinha quente no acampamento, qual das duas eu escolhi? Mas não foi fácil, em vários anos de trilha eu nunca senti uma senção tão ruim em uma caminhada, eu cheguei ao esgotamento físico que para dar um passo se quer eu precisava me concentrar para efetuar este ato. Então quando você se submete a fazer este tipo de aventura você volta com uma senção de conquista interior muito grande que é descobrir os seus limites e conhecer lugares do Brasil que se você ficar sentado ou dentro de um carro você nunca vai saber como é.
06/12/98 Levantamos às 6:00hs(horário religioso) e o galo não cantou de cansaço, o galo é o Agnaldo, que cantava toda a manha e hoje falhou. Mas Deco, Branco e eu dormimos bem. Tomamos café, levantamos acampamento e saímos lá pelas 8:14hs. Fizemos a trilha para o Bebedouro Novo com tempo bom até o meio-dia, depois começou a chover. Chegamos no Bebedouro após às 13:50hs e almoçamos logo em seguida, uma sopa de macarrão que estava uma delícia. Estamos esperando a chuva passar para tomar banho. A chuva não passou, só Deco e Léo tiveram coragem de tomar banho, Agnaldo e Branco ficaram na rede. "Tomamos banho durante a caminhada pois a chuva estava um pouquiho forte demais" A turma está com fome hoje, vai ter jantar de Risoto com Jabá. Comemos e já estamos deitados nas redes, são 18:30hs. 07/12/98 Levantamos às 6:00hs e nos aprontamos rapidamente. Tomamos café da manhã duplo, saímos às 7:00hs. Temos 23Km pela frente, pois queremos chegar no Tucano e sair com o barco. Andamos rapidamente, às 10:00hs estávamos no Bebedouro Velho, onde almoçamos uva passa, castanha e banana passa. Ao meio-dia e meia chegamos à cachoeira, o Andrade ( um garimpeiro que conhecemos) estava nos esperando com feijão com abóbora e carne seca e arroz. Estava uma delícia, principalmente o feijão com abóbora. Saímos às 14:00hs e fomos a toda, chegamos ao Tucano às 16:00hs e saímos de barco imediatamente, pois o Deco e o Andrade já tinham chegado antes e aprontado tudo. Saímos, o barco ia devagar pois o Cauaaboris estava raso, a noite nos pegou no rio sem achar lugar para acampar. Às 19:00hs, logo após a Boca de Maturacá, paramos o barco e acampamos. O Andrade virou nosso cozinheiro, fez risoto com peixe. O jantar estava bom, agora são 20:49hs. Agnaldo e eu estamos na rede, enquanto os outros ainda estão comendo. Os mosquitos Carapanã estão nos atacando. Outro motivo de preocupação é que quando pegamos o barco notamos que faltavam 15 litros de combustível e soubemos que foi o índio Stanislau quem pegou. 08/12/98 Levantamos às 5;30hs, depois de um ataque cerrado de Carapanãs a noite inteira. As formigas atacaram a rede do Andrade ,este teve que mudar de árvore pois aquela já tinha dono. Saímos às 6:36hs, rapidinho, chegamos na Pedra(posto da FUNAI) às 11:30hs e descobrimos que hoje é feriado. Vai ser muito difícil contatar o Ibama, pois a FUNAI não está funcionando na cidade. O Modesto fez contato com uma pessoa que tentará contatar o Ésio. Almoçamos macarrão com carne enlatada que o Andrade preparou( Agnaldo e eu) e arroz com paca( Modesto, Andrade, Branco e Deco). Saímos de barco, a gasolina está acabando. Quando chegamos no Iá-Mirim a gasolina acabou, foi um tal de tirar restos de gasolina dos tambores até que conseguimos 1.5 Lt. O Deco colocou o motor em marcha lenta e foi. Conseguimos chegar depois de uma angustiosa meia hora. Estamos esperando a perua do Ibama. A perua não chegou, fomos dormir na aldeia Tucano do Iá-Mirim, a mesma que dormi no ano passado. Ficamos num galpão onde esticamos nossas redes, como não há mosquitos dormimos bem. Agnaldo armou sua barraca no terraço da escola. Frase do Andrade: Bata-tinha/ macarrão-nada 09/12/98 Acordamos às 6:30hs, não temos nada para fazer. Fomos aprontar o café da manhã na beira do Iá-Mirim. Estamos esperando a perua nervosos, pois ela não chega. Passamos a manhã comendo caju e tomando banho no Igarapé. Na hora do almoço fizemos sopa de ervilha com bacon. Agnaldo está com disenteria Finalmente às15:00hs chega a perua. Carregamos a perua e fomos; Agnaldo; Léo; Antônio(Tuchaua dos Tucanos); o filho do Luís ; o Luís e o Andrade dentro da Toyota, Deco e Branco foram na caçamba. Luís corre a 80Km pôr hora na perimetral , é quase um suicídio, pois a Toyota está com os pneus carecas. E esta foi a nossa pequena aventura que não vamos esquecer jamais.
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